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Do Carandiru a Altamira: 27 anos de tragédias em presídios brasileiros


Postado em 2 de outubro de 2019 - 9:00h

“Estava sempre à espera da morte. Isso já estava dentro de mim”, diz Cláudio Antônio da Cruz, 62 anos. Conhecido como Kric Cruz, o professor de artes cênicas e rapper, é um dos sobreviventes do massacre do Carandiru, que ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando a Polícia Militar foi autorizada a invadir a Casa de Detenção de São Paulo para conter um princípio de rebelião. Resultado: 111 detentos foram assassinados. Nesta quarta-feira (2), o maior massacre do sistema penitenciário completa 27 anos sem a condenação de nenhum dos policiais militares envolvidos nas execuções.

Vinte e sete anos separam o massacre do Carandiru das rebeliões e mortes ocorridas desde o início do ano em Altamira e Manaus. Um motim com cinco horas de duração deixou 57 mortos em julho deste ano, no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Pará. Em maio, 55 presos morreram em unidades prisionais de Manaus, no Amazonas. Em janeiro de 2017, 56 detentos foram mortos sob custódia do Estado após rebeliões decorrentes de supostos confrontos entre organizações criminosas e a polícia. Em menos de três anos, foram 168 mortes contabilizadas oficialmente.

“Eles não veem o que estão fazendo”, diz Cruz. Após cumprir pena por assalto, homicídio e latrocínio, ele acumula 20 anos de Carandiru e um total de 28 cumprindo pena em outras unidades prisionais. “Qualquer coisa é motivo para guerra lá dentro”, diz. “Hoje as facções não querem perder seu pedaço. Essa violência cresce de dentro para fora, muita gente quer se vingar e descontar em quem está fora”, analisa Cruz. O ex-detento explica que as rebeliões são formas de lembrar ao mundo que a prisão existe e quem vive nesses espaços. “Sem rebelião, as pessoas se esquecem do que é a prisão”, diz.

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Fonte: R7