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Efeitos do zika em bebês podem aparecer meses após o nascimento


Postado em 7 de janeiro de 2020 - 9:38h

Dezenas de mulheres colombianas infectadas pelo vírus da zika durante a gestação deram à luz bebês aparentemente normais, mas que nos primeiros 18 meses de vida apresentaram atraso no desenvolvimento neurológico.

As informações fazem parte de um estudo de pesquisadores dos Estados Unidos, publicado nesta segunda-feira (6) no Jornal de Pediatria da Associação Médica Americana.

Segundo o relatório, embora as mães tivessem a infecção pelo zika confirmada, 77 dos 88 bebês nasceram sem sinais da síndrome congênita, que inclui anormalidades cerebrais graves e problemas oculares (veja infográfico abaixo). Os casos ocorreram entre agosto de 2016 e novembro de 2017.

“Esses bebês não tinham evidências de déficits de zika ou microcefalia no nascimento. Os déficits no desenvolvimento neurológico, incluindo declínios na mobilidade e cognição social, surgiram no primeiro ano de vida, mesmo quando a circunferência da cabeça permaneceu normal”, afirmou a médica neurologista fetal e neonatal Sarah B. Mulkey, do Hospital Nacional da Criança, em Washington D.C., coordenadora do estudo.

A pesquisa serve de alerta para os falsos negativos de síndrome congênita do zika em recém-nascidos, ressaltando a importância de um acompanhamento de neurodesenvolvimento de longo prazo.

“Normalmente, o neurodesenvolvimento em bebês e crianças pequenas continua por anos, construindo uma robusta rede neural que eles mais tarde usam para desempenhar funções neurológicas e cognitivas complexas conforme as crianças entram na escola”, observa a médica.

“Nossas descobertas ressaltam as recomendações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças [dos EUA] de que todos os bebês expostos ao zika no útero passem por acompanhamento a longo prazo, oferecendo uma oportunidade para intervir mais cedo”, conclui.

Fonte: R7