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Golpistas usam pandemia para hackear WhatsApp de vítimas


Postado em 8 de junho de 2020 - 7:48h

A pandemia do novo coronavírus tem sido utilizada como argumento por criminosos que aplicam o golpe do WhatsApp, em que hackers invadem as contas do aplicativo de mensagens para pedir dinheiro aos contatos das vítimas. Um grupo de psicólogas de São Paulo virou alvo recentemente.

“Recebi uma ligação dizendo que era pra participar de um programa de televisão referente à pandemia na questão psicólogica. Aí, falaram que iriam passar um código [com um] link para acessar. Eu já tinha visto relato de pessoas que receberam uma ligação mais ou menos parecida e disse que não tinha interesse. Não cheguei a cair”, relata a psicóloga Cleide Amaral.

Segundo a vítima, a ligação ocorreu há poucas semanas, feita por uma mulher muito educada. Após a negativa, a interlocutora encerrou a chamada sem insistir. Ao menos outras quatro profissionais liberais que integram o mesmo grupo de WhatsApp foram abordadas da mesma forma.

“Realmente, parece que [esse tipo de crime] está aumentando [na pandemia]. Vários colegas meus receberam ligações. Nesse mesmo formato. Um rapaz com voz de empolgação falou o meu nome e disse que estava me convidando para participar de programa em uma pauta de psicologia. Ele disse que mandaria um SMS com um código para fornecer dados e enviaria a pauta. Quando disse que iria roubar os meus dados, ele desligou. Se eu tivesse sido ingênua, iria entrar no meu WhatsApp”, avaliou Carolina Mendes.

Já a psicóloga Heloísa Barbosa revelou que outro colega disse ter recebido uma proposta semelhante. Os golpistas usam informações sobre pessoas próximas para dar uma falsa sensação de credibilidade.

Ela também atendeu a uma ligação que a convidava para participar de um suposto programa de televisão. No total, foram três contatos. Os criminosos diziam que estavam selecionando psicólogos para comentar três temas ligados à sua área de atuação. A vítima teria a opção de escolher os assuntos e horários da entrevista.

“Perguntei como tinham conseguido o meu número e disseram que era por meio das redes sociais. Eles citaram alguns nomes de pessoas que conheço e colegas de profissão. São muito espertos na forma de conversar. A primeira ligação foi de uma mulher. Depois, foram dois outros homens diferentes. Vozes diferentes e pessoas instruídas. Eles entendem de psicologia. Quando falei que não ia fazer, não me questionaram, apenas desligaram”, disse.

Heloísa revelou ainda que uma prima foi vítima do golpe, mas com uma abordagem diferente. A vítima recebeu uma mensagem via SMS com a orientação para clicar em um link após fazer compras pela internet.

“Clonaram [o celular da prima] e ficaram pedindo dinheiro [para contatos dela]. É um golpe perigoso, ainda mais quando se trata de pessoas idosas, porque elas não têm a mesma malícia. É um golpe perigoso, ainda mais quando se trata de pessoas idosas, porque elas não têm a mesma malícia”, completou a psicóloga.

A fonoaudióloga Erika Laperuta acredita que teve o aparelho invadido depois de uma compra em um conhecido aplicativo de entrega de produtos. Pelos seus cálculos, cerca de 30 amigos foram abordados pelos golpistas com pedidos de dinheiro. Uma dessas pessoas efetuou cerca de R$ 14 mil em transferências para duas contas bancárias passadas pelo grupo criminoso.

“[Tudo ocorreu] em menos de uma hora, até que eu bloqueasse o Whats. [Os golpistas] Pediam transferência ou pagamento de boletos. A maior parte das pessoas ligou de volta na hora, com exceção de uma amiga minha”, lamentou.

Erika Laperuta acrescentou que os suspeitos tentaram fazer várias compras por aplicativo de delivery e gastaram cerca de R$ 500 em uma rede de fastfood até que bloqueasse o cartão de crédito. “Ao todo, tentaram fazer sete ou oito compras”, avaliou.

A fonoaudióloga registrou um boletim de ocorrência eletrônico, conforme orientação das autoridades estaduais para estimular o isolamento social e evitar aglomerações em delegacias durante o surto da Sars-Cov-2. Já a amiga foi até a instituição bancária da qual é cliente para reverter as transações, mas recuperou apenas metade do valor perdido.

Fonte: R7